Lula participa de ato pró-Dilma e ataca Temer: tem medo de encarar as urnas

 Na imagem: Lula discursa em Ato com Movimentos Sociais / José Cruz/Agência Brasil

Na imagem: Lula discursa em Ato com Movimentos Sociais / José Cruz/Agência Brasil

Em ato contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff realizado neste sábado, dia 16, em Brasília, Luiz Inácio Lula da Silva disse que recorrerá a governadores para conquistar votos contrários à aprovação do prosseguimento do processo de impeachment pela Câmara dos Deputados. “Ainda tenho três governadores para conversar”, disse. “Vou conversar com governadores que eu acho que eles podem nos ajudar”, completou.

Para aprovar o prosseguimento do processo de impeachment na Câmara são necessários 342 votos. “Precisamos conquistar metade dos 513 votos [total de deputados], ou não deixá-los conquistar 342. É uma guerra de sobe e desce, parece a bolsa de valores, tem hora que o cara está com a gente, tem horas que não está mais”, declarou o ex-presidente.

Lula participou do Ato com Movimentos Sociais pela Democracia, no estacionamento do Ginásio Nilson Nelson, na capital do país. De acordo com a Polícia Militar do Distrito Federal, o evento conta com 1,5 mil pessoas e reúne movimentos como a Central Única dos Trabalhadores, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, União Nacional dos Estudantes e Central dos Trabalhadores Brasileiros.O ex-presidente reforçou que um impeachment sem base legal é um golpe contra a democracia e voltou a atacar o vice-presidente Michel Temer, alegando que ele quer encurtar o mandato de Dilma porque não tem coragem de enfrentar as urnas. “Se o Temer [vice-presidente Michel Temer] quer ser candidato, não deveria tentar através do golpe, ele deveria tentar a eleição, esperar chegar 2018. O PMDB é partido grande, ele se candidata e vamos para as urnas, vamos debater, vamos convencer o povo quem é melhor para o país”.

Lula também pediu aos manifestantes que o protesto deste domingo, dia 17, ocorra em paz e pediu que não aceitem nenhum tipo de provocação.

Em caso de derrota no processo de impeachment, ele estaria avaliando se valeria manter o clima depolarização. Segundo interlocutores do PT, o ex-presidente teria argumentado que o país está cansado e que um intervalo seria uma possibilidade válida.

A presença da presidente Dilma Rousseff estava confirmada no evento até o início da manhã deste sábado, dia 16. Pouco antes, por meio da Secretaria de Imprensa, informou que se reuniria com lideranças parlamentares. Dilma enviou uma carta que foi lida pela secretária especial de Política para Mulheres, Eleonora Menicucci. Ela agradeceu o apoio de todos e se disse confiante que a “democracia vencerá amanhã”.

Participaram do ato o presidente do PT, Rui Falcão, ex-ministro do Desenvolvimento Agrário, Patrus Ananias, além de parlamentares.

Favoráveis ao impeachment

Em frente ao Hotel Royal Tulip, no qual Lula se hospeda em Brasília, cerca de 40 manifestantes montaram uma mortadela inflável de cerca de 10 metros para protestar contra a articulação política que o ex-presidente promove no local, no qual tem recebido diversas visitas de políticos nos últimos dias.

Vindos de estados como Paraná e São Paulo, os manifestantes integram os movimentos Avança Brasil e Vem pra Rua. Eles chegaram em torno das 10h à portaria do hotel e disseram não saber se Lula se encontrava no local.

“Isso aqui virou escritório pessoal para compra de votos”, disse o advogado paulista Nilton Caccaos. Os manifestantes não pretendem permanecer no hotel, mas levar os infláveis para atos surpresa semelhantes em outros pontos de Brasilia.