“Como o padre pode colaborar com a política? Formando bem o laicato!”, do Bispo Dom Antônio Carlos

Bispo Dom Antônio Carlos
Bispo Dom Antônio Carlos participou do lançamento da campanha no Dom Wagner – (FOTO: Sidney Silva)

O Bispo Diocesano de Caicó, Dom Antônio Carlos, participou, na noite desta terça-feira (25), do lançamento da Coalizão pela Reforma Política Democrática e Eleições Limpas, ocorrido no Centro Pastoral Dom Wagner. Participa também, a Ordem dos Advogados do Brasil e outras instituições.

Em entrevista ao Blog Sidney Silva, o líder religioso disse que a Igreja já está mobilizada em favor do tema em questão há alguns anos. Na Assembleia dos Bispos de 2014, o assunto já foi debatido. A Igreja Católica, formou uma comissão que tem Dom Joaquim Mol, à frente, para dialogar com outros organismos da sociedade que estão preocupado com a questão.

Perguntado se esse é um momento mais propício para a campanha, Dom Antônio, disse que sim. Acha que talvez no tempo atual, o povo esteja mais consciente. “Não nos esqueçamos que nas manifestações de dois anos atrás, essa, já era uma proposta e alguns políticos assinaram um compromisso, só que depois a coisa parece que se diluiu no tempo, tanto por parte do Poder Executivo, quanto pelo Legislativo“, disse.

A participação da Igreja nos projetos sociais, ou, políticas sociais, é muito comum no mundo à fora, porém, em alguns lugares, o trabalho é destorcido quando os religiosos enveredam pela “política partidária”. Dom Antônio, tem um posicionamento muito claro sobre o assunto. “A Igreja nunca vai apoiar um candidato, nem, vai apoiar um partido. Talvez num momento de exceção, como ocorreu no passado, se justificasse, mas, hoje nós temos já uma democracia, que mesmo frágil, é uma democracia, e eu acho que esse processo que estamos vivendo ajuda a amadurecê-la“, afirma. E disse ainda: “Enquanto política partidária, eu acho que isso é competência dos leigos. Como o padre pode colaborar com a política? Formando bem o laicato! Na época das eleições, ajudando no discernimento. Não apontando esse partido ou esse candidato, subindo em palanque. Mas, ajudando a criar princípios para a reflexão“, destaca.

Por fim, o religioso disse que as pessoas devem ter discernimento ao entrar na política e se tem vocação para tal, devem seguir o caminho, sempre com critérios. “Os irmãos leigos que tem essa vocação política, devem se envolver na política, agora, com princípios de valores éticos e cristãos bem evidentes, porque, nós sabemos que não é fácil. Na hora que entra nesse jogo  e quando não se tem esses valores muito claros, podem se corromper“, afirma.