Entenda as fases de testes e como funcionará a vacina contra o zika

DENGUE 700 AEm novembro deste ano, a vacina contra o vírus zika deve começar a ser testada em animais. Essa fase antecede os testes feitos em seres humanos, a fronteira final para que a vacina possa ser usada na população para combater o vírus que está relacionado a casos de microcefalia em bebês.

“Tenho certeza de que vai funcionar. Estou falando isso de forma concreta, em um tempo menor do que o previsto.” A afirmação é do diretor do Instituto Evandro Chagas, Pedro Vasconcelos, que coordena a equipe paraense que trabalha para desenvolver a vacina contra o zika vírus. Segundo ele, as doses estarão prontas para os testes clínicos em humanos até fevereiro do ano que vem.

Os pesquisadores brasileiros atuam em parceria com a universidade Medical Branch do Texas, nos Estados Unidos. De acordo com Vasconcelos, que também integra o Comitê de Emergência para o Zika e Microcefalia da OMS, as tarefas entre os dois laboratórios foram divididas desde o sequenciamento genético do vírus selvagem até o desenvolvimento da vacina, de modo a acelerar o processo. Enquanto os cientistas americanos são responsáveis por produzir clones geneticamente modificados do zika vírus, os brasileiros testam o material em macacos e hamsters. “Isso para ver se conseguimos reproduzir o que o vírus causa nesses animais, inclusive em animais grávidos”, explica o diretor. Dependendo da resposta das cobaias a esses testes, a previsão é de que já haja uma fórmula de vacina pronta até novembro.

Segundo o especialista, até agora, já foi possível mapear parte do genoma do vírus e, dessa forma, modificar frações específicas do código genético dele. Assim, os pesquisadores pretendem induzir mutações no vírus, pois o objetivo é inoculá-lo vivo, mas atenuado, no público-alvo.

“O desafio é produzir mutações em determinados genes do vírus que façam com que ele perca a capacidade de provocar a doença, mas sem que isso afete a indução da produção de anticorpos, que é o que protege contra a infecção, é isso que estamos fazendo”, afirmou Vasconcelos. É exatamente esse equilíbrio que está sendo testado para se chegar ao resultado final da vacina.

“Essa vacina não visa à eliminação total do vírus, mas sim proteger as mulheres em idade fértil de se infectarem durante a gestação para que, antes de estarem grávidas, a infecção não leve a lesões como a microcefalia nos fetos, por já terem a proteção vacinal”. Contudo, o tratamento não é indicado para as mulheres grávidas por conta dos riscos de contaminação dos fetos. Para esse grupo, o pesquisador ressalta que um outro tipo de vacina terá de ser fabricado.

Vasconcelos ressalta que, ao contrário na epidemia de outras doenças transmitidas pelo mosquito Aedes Aegypt, como a dengue, no caso do zika, o desenvolvimento de uma vacina é menos complexo. “Essa vacina tem uma vantagem porque é um vírus que sofre poucas mutações. Ou seja, além de ser estável, e de um único tipo, diferente da dengue que tem quatro cepas”. O pesquisador disse ainda que o objetivo dos estudos é que a proteção seja eficaz para pelo menos 90% das pacientes. “É o índice que interessa em saúde pública”, completou.  Fonte: Portal Brasil