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Entidade registra 4º assassinato de jornalista no Brasil no ano e cobra ações contra violência

Marlon foi assassinado na Bahia

Quatro profissionais do ramo da comunicação já foram assassinados neste ano em todo o país. O caso mais recente aconteceu no interior do estado da Bahia. Marlon de Carvalho Araújo, mais conhecido como “o repórter ventania”, foi morto à tiros em casa na semana passada, na zona rural da cidade de Riachão do Jacuípe.

Segundo a entidade Artigo 19, esse é o quarto caso desse tipo de crime ocorrido no Brasil em 2018 – o que significa, ainda conforme a entidade, que até agora, 2018 já teve o dobro de assassinatos de comunicadores em relação ao ano de 2017.

Com passagens pelas rádios Gazeta e Jacuípe, Marlon vinha se dedicando à uma página pessoal no Facebook na qual atuava como repórter independente, mantendo o perfil combativo que o marcava e produzindo vídeos com cobranças, denúncias e críticas contra políticos de municípios diversos de sua região.

A Artigo 19 diz que entrou em contato com comunicadores locais e com autoridades responsáveis pelas investigações do caso, que confirmaram que a principal motivação considerada para o crime é a atuação de Marlon como comunicador.

Somente em 2018, já foram assassinados outros três comunicadores: Jairo Sousa, radialista de Bragança (PA); Ueliton, jornalista de Cacoal (Rondônia); e Jefferson Pureza, radialista em Edealina (Goiás). Assim, fica evidente que o crime reforça um cenário de violência contra comunicadores que tem se intensificado este ano, sendo urgente e necessário que o Estado, em todos os níveis, reconheça a condição alarmante dos comunicadores no país e se comprometa com política concretas de enfrentamento do problema.

Em maio desse ano, uma audiência pública realizada no âmbito do Conselho Nacional de Direitos Humanos discutiu o tema da violência contra comunicadores no Brasil e uma série de organizações da sociedade civil, entre elas a Artigo 19, alertaram para os índices alarmantes de violações contra comunicadores no país.

Autoridades presentes se comprometeram a enfrentar a questão, entre elas o Ministério de Direitos Humanos, órgão público responsável pelo Programa de Proteção a Defensores de Direitos Humanos, que anunciou a inclusão dos comunicadores no mecanismo de proteção. Essa medida se faz urgente, pois inúmeros comunicadores se encontram em situação de risco no país e a proteção dessas pessoas pode impedir que novos casos como o de Marlon aconteçam.

A entidade diz que vê com preocupação a notícia e demanda que as autoridades garantam que as investigações do caso sejam céleres e rigorosas e que todo o apoio seja prestado aos familiares e colegas de Marlon.