Festividades de final de ano intensificam luto e saudade

Quando as festas de fim de ano se aproximam, vem com elas um sentimento de alegria, celebração e confraternização que marcam os encontros entre amigos e, principalmente, em família. Por outro lado, essa época pode ser angustiante para algumas pessoas que estão vivenciando um momento de luto por uma perda recente ou não. Em ambos os casos, as lembranças se afloram, a saudade de quem já se foi aperta e cresce o sentimento de melancolia e solidão.

De acordo com a psicóloga do Grupo Vila, Mariana Simonetti, cada pessoa vive o luto de uma maneira própria. Ainda assim, a tristeza nesse período é considerada normal. “Essas datas são bem marcantes, é comum sentir falta de um familiar que faleceu, principalmente, quando esses momentos são de encontro e celebração entre familiares, que contavam com a participação do falecido”, explica.

Mesmo sendo uma situação difícil, é possível lidar com a saudade e ajudar a quem sente que não é justo celebrar o Natal e o Ano Novo, por exemplo, com alguém tão querido em falta. Segundo Mariana, a introspecção do enlutado é uma das reações mais comuns. “Aquela pessoa não vê mais sentido nas comemorações e fica reclusa. Cabe aos demais familiares e amigos compreender esse sentimento, que é válido, porém mostrar a pessoa que a tristeza e a solidão não são o melhor caminho”, explica.

O processo do luto é delicado e pessoal, mas, independente da fase em que ele esteja, é necessário ressignificar tudo aquilo que lembra o ente querido. Uma das formas de fazer isso é usando as boas memórias como alicerce desse caminho, para que ele não seja tão doloroso. “É necessário que a pessoa enlutada sinta que a pessoa que partiu não foi esquecida nesse ambiente festivo, pois isso é o que muitas vezes incomoda o enlutado”, esclarece Mariana Simonetti.

Por mais difícil que todo esse processo seja, tanto os enlutados, quanto as pessoas ao seu redor, têm a chance de criar outra perspectiva de lidar com a perda e essa redescoberta não necessariamente precisa ser solitária. “As festividades também devem ser encaradas como um tempo de acolhimento nos encontros em família”, finaliza a psicóloga.