Fiscais do Conselho Regional de Medicina encontram irregularidades no Hospital Regional de Caicó

Cicero Braga fez junto com equipe fiscalização no Hospital Regional
Francisco Braga fez junto com equipe fiscalização no Hospital Regional – (FOTO: Sidney Silva)

Sidney Silva – O vice-presidente do Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Norte, Francisco de Almeida Braga, esteve em Caicó, nesta segunda-feira (13), e realizou, juntamente com uma equipe, fiscalização nas dependências do Hospital Regional. Muitas irregularidades foram encontradas.

Ele afirmou ao Blog Sidney Silva, que atuação teve início no pronto-socorro da unidade. Nos corredores, foi possível, de imediato, identificar pacientes aguardando atendimento e, que ali não existe um serviço de classificação de risco. “Nós identificamos as pessoas que precisavam de atendimento, aguardando, e também que não tinha um serviço de classificação de risco. Esse serviço serve para identificar qual a necessidade daquela pessoas que procura a unidade. Deve-se utilizar, as cores azul, verde, amarela e vermelha, de acordo com a gravidade“, contou.

A quantidade de profissionais atuando na Urgência, também foi um dos questionamentos. Com esse dado, Francisco Braga, disse que era possível entender que o serviço prestado é deficitário. “Eu perguntei aos profissionais, porque, demorava tanto para atender, e eles responderam que era pelo fato de só ter eles dois, inclusive, que tem uma média de cerca de 300 pacientes atendidos em 24 horas. Então é fácil fazer a conta, vai dar uma média de 9 minutos, o atendimento de cada pessoa, se não levarmos em consideração que ele vai almoçar, fazer necessidades fisiológicas, e precisa de tempo para descanso“, disse.

Outro setor visitado, foi o de observação. Na unidade, existem espaços masculino e feminino. Em algumas camas, os colchões não estavam com lençóis. Ponto negativo. Outro, é que os ventiladores estavam sem funcionar.

O Hospital Regional, deveria ter uma equipe multidisciplinar pronta para o atendimento à população. A unidade atende cerca de 300 mil pessoas. “Lá, precisaria ter, clínicos, cirurgiões, anestesistas, ortopedista, e lá, como a porta também de atendimento de crianças, deveria ter um pediatra, mas, não, às crianças são atendidas por um clínico e quando precisa de internação, são regulados e seguem para o Hospital do Seridó, mas, o atendimento deveria ocorrer lá“, afirma.

Na Unidade de Terapia Intensiva, os fiscais do CRM, também encontraram irregularidades diversas, como a falta de equipamentos essenciais e segundo os técnicos, é subdimensionada com apenas 5 leitos. Cada leito de UTI, deve ter uma divisória separando-os. Precisa ainda estar equipado com respirador, monitor cardíaco para a prestação de serviço individual aos pacientes. “Dos 5 leitos da UTI, apenas três dispõem desses equipamentos. Tem um quarto equipamento, mas, está em manutenção, está quebrado. Esses equipamentos precisam existir também na sala de estabilização para ser usado, por exemplo, quando o paciente chegue porque sofreu uma acidente, trauma craniano“, disse.

Outro setor visitado pelos fiscais do Conselho Regional de Medicina, foi o Centro Cirúrgico. No local, foi identificada a falta de um desfibrilador, equipamento usado na reanimação de pacientes. O Hospital Regional dispõem apenas de um desses equipamentos, quando na verdade, se faz necessário que tenha um no Centro Cirúrgico, um no Pronto-Socorro e outro na UTI.

Outra situação crítica, é a falta de ambulâncias para transporte de pacientes para outras unidades de saúde do estado. O conselheiro, Francisco Braga, disse que esse problema é grave. “Nós não vimos nenhuma ambulância do hospital. Quando se precisa transportar pacientes, como é que faz? pede ajuda de quem? Uma das respostas, é que se chama o Samu, ora, o Samu é para trazer a ocorrência da Rua para o Hospital ou se precisar de uma ambulância mais avançada fazer uso“, contou.

O Conselho Regional de Medicina, vai preparar um relatório da situação estrutural do hospital regional de Caicó e apresentar aos demais membros. Com isso, será decidido o que se pode fazer, se moverão ações na Justiça, se acionarão o Ministério Público, entre outras possibilidades.