Gilmar diz que “não aceita” pedido de suspeição movido por ex-procurador

Gilmar diz que “não aceita” pedido de suspeição movido por ex-procurador

O ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes reagiu e disse que não aceita a suspeição movida contra ele pelo ex-procurador da República Marcelo Miller. Com isso, formalizou um pedido para que a presidente da Corte, ministra Cármen Lúcia, negue a suspeição. Acusado de fazer jogo duplo enquanto esteve à frente da operação Lava Jato e era braço-direito do ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot na PGR, Marcelo Miller entrou com uma ação para impedir que Gilmar o julgasse sob a alegação de parcialidade.

Convocado a depor na extinta CPMI da JBS no Congresso, entrou um pedido para permanecer calado e não ser obrigado a responder as perguntas dos parlamentares – sem correr o risco de ser preso por isso. No sorteio, a relatoria do pedido caiu justamente para Gilmar Mendes, que tem feitas críticas duras contra Janot e sua equipe.

Marcelo Miller trabalhou em investigações contra as maracutaias da J&S e o pagamento de propinas a políticos pelos empresários Joesley e Wesley Batista. Deixou o cargo depois para se tornar advogado da empresa em ações contra o próprio Ministério Público, onde atuava.

O pedido foi feito em 24 de novembro, quando o habeas corpus ainda não havia sido julgado. A defesa de Miller alegou que Gilmar seria parcial com base nas declarações públicas do ministro. Ele, no entanto, acolheu o pedido da defesa e garantiu a Miller o silêncio. Diante disso, em ofício enviado á Cármen Lúcia, justifica sua isenção no julgamento do caso.

“Comprovando minha independência na avaliação da causa, antes mesmo de tomar conhecimento da presente arguição, deferi medida liminar nos exatos termos em que requerida pelos impetrantes”, escreveu a Cármen Lúcia. E completou. “Ante o exposto, informo a Vossa Excelência que não aceito a suspeição e pugno por sua integral rejeição.” A presidente do Supremo ainda não se manifestou sobre a ação.