Maioria dos municípios brasileiros declarou estado de emergência ou calamidade entre 2003 e 2016

Reservatórios secaram no Nordeste com a estiagem

Quase metade dos municípios brasileiros teve que decretar estado de emergência ou de calamidade pública por conta da estiagem entre 2003 e 2016. É o que indica o relatório de Conjuntura dos Recursos Hídricos de 2017, divulgado nesta segunda-feira (4) pela Agência Nacional de Águas (ANA). Segundo o levantamento, a maioria das cidades que fizeram esse pedido fica na região Nordeste do país.

A pesquisa feita pela agência indica que pelo menos 48 milhões de pessoas foram afetadas em todo país, com mais de 4 mil secas que causaram danos a população de maneira direta. Do total, 83% desses eventos se concentraram no Nordeste. Além disso, cerca de 18 milhões de pessoas foram atingidas pela estiagem.

Além das secas, as enxurradas também prejudicaram muitas cidades. Enquanto a estiagem assolava a região Nordeste, as partes Sul e Sudeste do país sofreram com a força da água. Por isso, 47,5% dos municípios das regiões decretaram situações de emergência ou calamidade pública.

O levantamento ainda aponta que 12% dos pontos analisados sobre a qualidade da água apresentaram resultados considerados excelentes, usando o índice de Qualidade das Águas como base. Já 13% foram classificadas como regulares, 9% como ruins e 3% de péssima qualidade.

A pesquisa da agência também indica que mais de 67% da vazão média de consumo de água tem como destino a irrigação de plantações em todo o país.



Enfermeira relata situação de calamidade no Hospital Regional de Caicó

A enfermeira Thalyne Dias escreveu em uma rede social sobre como terminou o plantão no Hospital Regional do Seridó em Caicó. A unidade está sem insumos para o atendimento de pacientes. Inclusive, por causa disso, a Unidade de Terapia Intensiva – UTI não recebe mais pacientes até que sejam adquiridos medicamentos sedativos entre outros.

Veja o que escreveu a enfermeira Tahalyne Dias:

Hospital Regional de Caicó
23:45 do dia 31/10/2017

Hoje cheguei mais uma vez à exaustão, por me sentir IMPOTENTE dentro de um ambiente onde eu deveria cuidar da saúde dos pacientes e ao invés disso estou assistindo a morte hora a hora. Ao chegar no plantão fui comunicada de que não tinham mais antibióticos para os pacientes continuar o tratamento das infecções, a UTI não estava mais com condições mínimas de abastecimento de medicamentos para receber pacientes. Dois dos pacientes internado com abdômen agudo (em urgência cirúrgica) tiveram suas cirurgias suspensas às 20h por falta de anestésico. Não tínhamos telefone para regular os pacientes para o hospital de referência, há dias está cortado por falta de pagamento, ao tentar ligar do meu celular descubro que os telefones do outro hospital também estão cortados. O que fazer? Uma vez que o estado geral dos pacientes se agravava a cada hora e o Estado nos manda “regular” o paciente antes de encaminhá-lo. Eu tinha uma escolha: ou assistia a mais duas mortes ou encaminhava os pacientes, correndo o risco do outro colega que estava em outra cidade não receber o paciente pelas mesmas “falta de tudo”.

Ouvi um médico hoje, que trabalha há 24 anos como servidor público no estado do Rio Grande do Norte,  dizer que nunca passou por situação tão caótica como esta. Imagino eu nos meus primeiros 4 anos como servidora da SESAP-RN onde iremos chegar? E sabem o que é pior? É o paciente, potencialmente, cada um de nós que dependemos do SUS, ficar dentro de um jogo de empurra empurra até o último minuto de vida. Ninguém assume a responsabilidade. Seríamos todos cúmplices ou vítimas da “falta de tudo”?

Enfa. Thalyne Dias