“Eu credito que teremos inverno, mas, um pouco mais tarde”, diz profeta Chico Elpídeo

Chico Epídeo mostra galhos de uma Jurema que brota lentamente na zona rural de Caicó – (Foto: Sidney Silva)

Sidney Silva (Tribuna do Norte) – A espera do homem do campo pela chuva no semi-árido, é grande. Muitos queriam que o inverno começasse logo por causa da quantidade de anos de seca que castigou a região Nordeste. No Distrito Palma, distante 27 quilômetros da cidade de Caicó, o agricultor, Francisco Elpídeo de Medeiros, de 67 anos, um dos chamados “profetas do tempo”, conta as experiências que indicam se teremos chuvas volumosas ou se serão fracas. É na natureza onde ele encontra os sinais e avisa: “Vai ser um inverno médio”.

Algumas plantas que dizem que o inverno está chegando, não estão se manifestando e outras começaram, mas, de maneira muito lenta. Os animais, por exemplo, o Gavião Vermelho, a Siriema, ainda não deram sinais. Os pássaros que ficam em bando, começam a se acasalar e ainda não aconteceu. Quer dizer… Eu não acredito em um inverno, amanhã (falando da pré-estação chuvosa). Eu credito que teremos inverno, mas, um pouco mais tarde. Eu não acredito no inverno que estão dizendo (se refere aos meteorologistas) que vai ser acima da média. Mas, chove“, disse.

O caicoense, Chico Elpídeo, ainda citou as abelhas entre outros insetos como sendo partes da natureza que dão indícios de bom inverno ou de seca. “As abelhas, não tem “fiação” (não estão procriando). As formigas ainda não se manifestaram“, disse.

Mesmo com falta de sinais por parte dos animais, Elpídeo viu nas plantas indicativos para as chuvas que aliviarão um pouco o sofrimento do homem do campo. “O xiquexique tem dado sinais positivos. O xiquexique é uma das maiores experiências do homem do campo. Ele já deu um alerta. Mais ainda é pouco. O que acontece com ele é que a ponta da galha, ela fica amarelinha. Ela enche o espinho de água. No tronco, o espinho fica mole e aquela ponta cresce um pouco mais, com isso, pode esperar que vem chuva. O xiquexique também prepara uma lã e por trás dela dá um broto que é a sua flor. Se chover hoje, amanhã ele amanhece todo florado“, relata.

Mesmo que de forma lenta, a Jurema, que é uma árvore nativa da Caatinga, também está dando sinais de que a chuva virá. “Ela está cheia de botões adormecidos, aguardando a chuva. Agora, eu estou achando a coisa ainda muito devagar“, afirmou.

Anos de chuva e de seca

O profeta, Chico Elpídeo, finalizou nossa conversa falando sobre os anos de seca e de invernos bons em Caicó: “Eu quero lhe falar sobre o ano ’18’. Esse é o único número na história em que não houve uma seca. Nós tínhamos os anos de 12, 13 e 18, na mesma situação. Os dois primeiros já foram, ou seja, houve seca. “O ano de 1918, não foi bom de inverno. Foram registrados cerca de 520 milímetros. Agora, em 1919, só choveu 107 milímetros em Caicó. Foi uma seca grande. Em 1932, foram 111 milímetros e em 2012, o volume de chuva em Caicó, foi de 125 milímetros. Os anos que mais choveram em Caicó, foram: 1974, com 1.560 milímetros e 1985, com 1.558 milímetros“, contou.



Ambientalista está preocupado com árvores no leito do Rio Seridó

Ambientalista preocupado com árvores no leito do Rio Seridó – (Foto: Sidney Silva)

O ambientalista, Francisco Elpídio, está preocupado com a quantidade de árvores do tipo algarobas existentes no leito do Rio Seridó, que passa por dentro da cidade de Caicó, inclusive, o Complexo Ilha de Sant’Ana, foi construído em seu leito.

As árvores, segundo Elpídeo, existem em uma quantidade muito grande e poderá causar problemas graves quando voltar a chover e ocorrer  cheia do rio. “Os pés-de-Algarobas, serão levados pelas águas e poderão prejudicar determinados lugares como às casas que foram construídas no leito do rio. As casas, existem aos montes. As pessoas estão construindo cada vez mais dentro do rio. Certamente eles acham que o rio não vai mais botar água, pois estão enganados“, disse em entrevista ao programa Comando Geral da Rádio Caicó.

O ambientalista chama a atenção dos gestores para que tomem uma providência e façam a retirada das árvores do leito do Rio Seridó.