CPMI orçada em R$ 350 mil poupa políticos e acaba em pizza

Foram três meses e meio de trabalho. Vinte reuniões. Dezoito depoimentos, entre convites e convocações. O silêncio de Joesley Batista. A ausência do ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot. E um custo de R$ 350 mil – isso mesmo, R$ 350 mil – para a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito da JBS terminar sem apresentar o resultado efetivo ao qual se propôs.

O dinheiro do contribuinte, mais o tempo de 16 deputados e 16 senadores voltados aos trabalhos da comissão desde setembro foram convertidos em um relatório onde o alvo principal acabou sendo o Ministério Público Federal. Nessa quinta-feira, a comissão encerrou suas atividades ao aprovar o parecer do deputado Carlos Marun, do PMDB do Mato Grosso do Sul.

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Época diz que JBS pagou R$ 3 milhões a Eduardo Cunha

A Revista Época desta em sua última edição que a JBS pagou 3 milhões de reais em dinheiro vivo em 2014, ao então deputado Eduardo Cunha. O repasse teria sido feito a pedido do agora Presidente da República, Michel Temer.

O pagamento foi combinado por Temer com Ricardo Saud, lobista do grupo JBS, em um encontro no escritório do então vice-presidente na Praça Pan-Americana, em São Paulo.

A JBS descontou os R$ 3 milhões de Cunha do crédito de R$ 15 milhões a que Temer tinha direito junto à empresa. Esses R$ 15 milhões, por sua vez, haviam sido autorizados pelo PT – e foram debitados da conta de propina da JBS no BNDES.

Após receber a orientação de Temer, Saud consultou Cunha sobre a forma de pagamento dos R$ 3 milhões. O deputado pediu à JBS que pagasse em dinheiro vivo. Para não haver equívocos, Saud procurou Temer pessoalmente. Queria o aval do vice-presidente. “Pode fazer”, disse Temer, segundo o relato de Saud. O pagamento foi registrado em uma das planilhas de propina da JBS, controlada pelo funcionário Demilton. No final da linha aparece a sigla “MT”, de Michel Temer.



Relatório da PF aponta indício de corrupção praticada por Temer

Relatório da PF aponta indício de corrupção praticada por Temer

A Polícia Federal (PF) enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) relatório parcial sobre o inquérito aberto para investigar o presidente Michel Temer, a partir das delações da JBS. No relatório, o delegado Tiago Machado Delabary afirma que os indícios colhidos até o momento indicam a prática de corrupção passiva por parte do presidente. Na Rússia, Temer disse que não se manifestará sobre o conteúdo do relatório por se tratar de uma questão jurídica e a defesa dele pediu acesso ao relatório preliminar.

Diante do silêncio do mandatário maior da Nação e de seu ex-assessor especial [Rodrigo Rocha Loures], resultam incólumes as evidências que emanam do conjunto informativo formado nestes autos, a indicar, com vigor, a prática de corrupção passiva”, diz o delegado no relatório, divulgado pelo STF.

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Robinson e Fábio Faria afirmam que doações da JBS foram legais e sem contrapartida

Sobre a citação do governador do Rio Grande do Norte Robinson Faria e do deputado federal Fábio Faria na delação da JBS, é preciso esclarecer os seguintes pontos:

1 – Ambos informam que conheceram a JBS no período eleitoral e confirmam que receberam doações da empresa citada, somente durante o período de eleições, oficialmente, legalmente, devidamente registradas na Justiça Eleitoral e sem qualquer contrapartida nem ato de ofício;

2 – Não existia, da parte de Robinson e Fábio Faria, qualquer motivo para que houvesse desconfiança em relação à origem da doação feita por meio de contatos do PSD Nacional;

3 – É importante ressaltar que, desde a campanha eleitoral, Robinson Faria tem destacado em inúmeras declarações públicas e entrevistas que não pretende e nem irá privatizar a Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (CAERN), o que seria, segundo o delator, a motivação do suposto pagamento irregular;

Por fim, Robinson e Fábio Faria consideram absurdas as declarações do delator que chama de propina contribuições eleitorais lícitas, com o claro objetivo de se livrar de crimes graves praticados.

Robinson Faria, governador do RN
Fábio Faria, deputado federal pelo RN