Ministra que comparou salário de R$ 33,7 mil a trabalho escravo desiste de acumular vencimentos

Um documento assinado pela ministra Luislinda Valois, dos Direitos Humanos, rendeu polêmica nesta quinta-feira (2). Ela apresentou ao governo um pedido para acumular o salário com o de desembargadora aposentada, que somados garantiriam vencimento bruto de R$ 61,4 mil. A ministra diz que essa situação, “sem sombra de dúvidas, se assemelha ao trabalho escravo, o que também é rejeitado pela legislação brasileira desde os idos de 1888 com a Lei da Abolição da Escravatura”. Após a repercussão negativa, o Ministério dos Direitos Humanos informou que “já foi formulado um requerimento de desistência e arquivamento da solicitação“.

Atualmente, Valois recebe por mês R$ 30,4 mil pela aposentadoria de desembargadora do Tribunal de Justiça da Bahia. Como ministra, ela recebe somente R$ 3,3 mil e tem descontados R$ 27,6 mil, o chamado “abate teto”. No documento de 207 páginas, ela reclama que, por causa do teto constitucional, só pode ficar com R$ 33,7 mil do total das rendas. Além do salário como ministra, Luislinda tem direito a carro com motorista, jatinhos da FAB, cartão corporativo e imóvel funcional. Filiada ao PSDB, ela assumiu a pasta em fevereiro deste ano.


Cármen Lúcia diz que possível ‘devassa’ contra Fachin é ‘própria de ditaduras’

Ministra Cármen Lúcia se pronuncia sobre possível devassa na vida de Fachin

A presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Carmen Lucia, divulgou nota neste sábado (10), em tom grave, mostrando indignação com a possibilidade de a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) estar investigando o ministro relator da Lava Jato, Luiz Edson Fachin.

Na nota, Cármen Lúcia disse que a possível “devassa” contra o ministro é “própria de ditaduras”. A presidente do STF também acrescentou que a Corte repudia, com veemência, “espreita espúria, inconstitucional e imoral contra qualquer cidadão e, mais ainda, contra um de seus integrantes, mais ainda se voltada para constranger a Justiça“.

Própria de ditaduras, como é esta prática, contrária à vida livre de toda pessoa, mais gravosa é ela se voltada contra a responsável atuação de um juiz, sendo absolutamente inaceitável numa República Democrática, pelo que tem de ser civicamente repelida, penalmente apurada e os responsáveis exemplarmente processados e condenados na forma da legislação vigente“.

Segundo a colunista do G1 e da GloboNews Cristiana Lôbo, o presidente Michel Temer telefonou para Cármen Lúcia na manhã deste sábado para dizer a ela que não pediu à Abin que investigasse Fachin.