STF aceita denúncia, e Jucá torna-se réu em processo ligado à Odebrecht

Denúncia contra Romero Jucá baseou se em delação de executivo da Odebrecht

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) aceitou hoje (13), por unanimidade, denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra o senador Romero Jucá (MDB-RR) pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, em um desdobramento da Operação Lava Jato.

Com isso, o senador passa, pela primeira vez, a figurar como réu no STF, na primeira ação penal aberta no Supremo em decorrência da delação premiada da empresa Odebrecht. Esta é uma das 13 investigações contra Jucá que tramitam na Corte.

Jucá foi delatado pelo ex-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht Claudio Mello Filho. Segundo o executivo, a Odebrecht fez, em 2014, uma doação eleitoral oficial de R$ 150 mil ao diretório regional do MDB em Roraima, ao mesmo tempo em que discutia com o senador a aprovação, no Congresso Nacional, de duas medidas provisórias (MPs) em benefício da empresa.

No mesmo dia da doação, o diretório regional do MDB repassou a quantia a Rodrigo Jucá, filho do senador, que na ocasião era candidato a vice-governador de Roraima.

Para o MPF, o dinheiro foi doado em contrapartida à atuação política de Jucá, que propôs emendas para modificar os textos das MPs 651 e 656, ambas de 2014, de modo a garantir benefícios fiscais ao grupo Odebrecht.

*Agência Brasil




PT e Odebrecht tinham pacto de sangue como compromisso por propina e benefícios, diz Antônio Palocci

Antônio Palocci disse que PT tinha pacto de sangue com a Odebretch

Em depoimento ao juiz Sérgio Moro, o ex-ministro Antônio Palocci afirmou nesta quarta-feira (6) que o Partido dos Trabalhadores e a empreiteira Odebrecht tinham um “Pacto de Sangue”, avalizado pelo ex-presidente Lula. De acordo com a defesa do ex-ministro, Antônio Palocci disse no depoimento que a empreiteira se comprometeu a pagar R$ 300 milhões em propinas ao PT entre o final do governo Lula e o início do governo Dilma.

Além disso, a Odebrech adquiriu um apartamento em São Bernardo do Campo para o ex-presidente Lula e um terreno para a construção do Instituto Lula, como compensação pelas vantagens que a empresa recebeu durante o governo petista. O ex-ministro afirmou ainda que Lula recebeu, pessoalmente, da empreiteira R$ 4 milhões em espécie.

Antônio Palocci prestou depoimento ao juiz federal Sérgio Moro, em Curitiba, na condição de réu da ação penal da Lava Jato que apura estes fatos, apresentados em denúncia do Ministério Público Federal (MPF).

Lula foi condenado, em julho, pelo juiz Moro a 9 anos e 6 meses de prisão no processo sobre o tríplex do Guarujá. O ex-presidente aguarda em liberdade até decisão de 2ª instância.