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Alto-comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Turk, em Genebra
© REUTERS/Denis Balibouse/Direitos Reservados

A violência contra as mulheres tornou-se “emergência global”, alerta o alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, lamentando principalmente os abusos revelados em casos como o de Gisèle Pelicot, na França, e o do pedófilo norte-americano Jeffrey Epstein.

 

“A violência contra as mulheres, incluindo o feminicídio, é uma emergência global”, afirmou Volker Türk, acrescentando que cerca de 50 mil mulheres e jovens foram assassinadas em todo o mundo em 2024, a maioria delas por membros de suas próprias famílias.

“A violência contra as mulheres, incluindo o feminicídio, é uma emergência global”, afirmou Volker Türk, acrescentando que cerca de 50 mil mulheres e jovens foram assassinadas em todo o mundo em 2024, a maioria delas por membros de suas próprias famílias.

Em discurso sobre a situação dos direitos humanos no mundo, perante o Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, nesta sexta-feira (27), Türk lamentou especialmente os casos de abusos como o de Gisèle Pelicot, na França, e do pedófilo norte-americano Jeffrey Epstein. O caso de Pelicot ficou conhecido mundialmente. A francesa de 71 anos foi drogada e violada por dezenas de homens desconhecidos, recrutados pelo ex-marido ao longo de uma década.

“Tanto o caso Pelicot quanto os arquivos Epstein demonstram a extensão da exploração e do abuso de mulheres e jovens. Alguém acredita que não existem muitos outros homens como Dominique Pellicot ou Jeffrey Epstein? Esses abusos horríveis são facilitados por sistemas sociais que silenciam as mulheres e protegem os homens poderosos da responsabilização”, disse Türk.

“As mulheres e as jovens enfrentam ameaças cada vez maiores aos seus direitos”, alertou, apelando aos países que investiguem “todos os alegados crimes, protejam as sobreviventes e garantam justiça sem medo ou favorecimento”.

“As mulheres e as jovens enfrentam ameaças cada vez maiores aos seus direitos”, alertou, apelando aos países que investiguem “todos os alegados crimes, protejam as sobreviventes e garantam justiça sem medo ou favorecimento”.

No seu discurso, o alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos manifestou preocupação com a normalização do uso da força para resolver conflitos em todo o mundo, alertando que os conflitos estão criando um verdadeiro “deserto dos direitos humanos”.

“Não devemos regressar à violência como base para a organização do mundo”, exortou Türk, alertando que “o uso da força, tanto por meio de ameaças quanto pelo uso eficaz, para resolver conflitos está se tornando cada vez mais frequente e comum”.

“O mundo está realmente se tornando um lugar mais perigoso”, disse ele, lembrando que o número de conflitos armados quase duplicou desde 2010, para cerca de 60.

Türk condenou a aparente indiferença pelas violações do direito internacional, salientando que, há dez anos, “o ataque a um hospital teria provocado uma onda de indignação global, mas dados recentes mostram que há agora, em média, dez ataques por dia a instalações de saúde”.

“A conclusão é clara: ignorar as atrocidades só alimenta os massacres”, alertou. “O mundo não pode ficar de braços cruzados enquanto o edifício do direito internacional humanitário e dos direitos humanos se desmorona diante dos nossos olhos”, afirmou.

“Os autoritários tentam convencer as pessoas de que são impotentes, mas os direitos humanos nos lembram que não o somos”, escreveu Türk na rede social X.

*É proibida a reprodução deste conteúdo.

Agência Brasil

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