Deicor investiga série de assassinatos na região Oeste do estado

Armas apreendidas na ação do Deicor

Policiais civis da Divisão Especial de Investigação e de Combate ao Crime Organizado – Deicor, realizaram ação na última quarta-feira (19), nas cidades de Caicó, Jucurutu, e sítios no Sertão da Paraíba e Oeste do Rio Grande do Norte. O objetivo foi dar cumprimento a mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça de Campo Grande/RN, na tentativa de fazer cessar mais de uma dezena de mortes registradas na região oeste.

A investigação é presidida por uma comissão de delegados, tendo a frente o diretor da Deicor, Odilon Teodósio. A comissão foi criada depois da morte do homem identificado como Chico Boi, no dia 10 de julho de 2018, em Janduis.

Na ação desta quarta, os policiais apreenderam três espingardas e dois revólveres, além de munições.

Duas espingardas foram apreendidas

Foi preso, no sítio Salgado, zona rural de Belém de Brejo do Cruz/PB, Francisco das Chagas Garcia da Silva. Ele estava na posse de um revólver de calibre 38. No mesmo sítio, foi apreendido outro revólver de calibre 38, um rifle de calibre 38.

Um adolescente também foi apreendido. Ele assumiu ser dono de uma das armas apreendidas na ação.

Em entrevista ao Blog Sidney Silva, o delegado Odilon Teodósio, disse que o rastro de assassinatos começou no dia 06 de setembro de 2017, quando foi achado morto nas imediações da fazenda Serra Vermelha, na zona rural de Campo Grande, o homem identificado como Henrique Garcia. Ele era vaqueiro da fazenda Monte Alegre, pertencente a família Veras.

O corpo de Henrique foi encontrado com sinais de tortura e com os olhos arrancados. Três dias antes de ele aparecer morto, ou seja, no dia 3 daquele mês, aconteceu assalto ao banco do Bradesco da cidade de Brejo do Cruz/PB. A quadrilha fugiu para se esconder em uma fazenda próximo da Serra Vermelha. Por ironia, ele (Henrique) cruzou com o bando em fuga e estes o deixaram seguir. A polícia que estava no encalço dos assaltantes, também encontrou com Henrique e o indagou se não tinha encontrado com pessoas suspeitas. Este entregou aonde estavam. A polícia localizou o bando, houve confronto e pelo menos cinco morreram. Os que escaparam do cerco policial, novamente cruzaram com Henrique e dessa vez tiraram-lhe a vida.

A morte de Henrique está sendo apurada e em breve deve ser anunciado pela Polícia Civil, o desfecho da investigação.

O delegado Odilon Teodósio, disse que a polícia investiga se as mortes ocorreram por vingança.

Um mês depois da morte de Henrique Garcia, foi assassinado, Francisco Jales, mais conhecido como Nego de Laura. Ele estava no bar da Novinha, em Janduis, quando foi emboscado e morto com tiros de escopeta 12 e de armas curtas. Depoimentos prestados a polícia apontam que, Nego, estava no assalto ao banco e participou da morte de Henrique.

Dias depois da morte de Nego de Laura, foi assassinado, João Verdureiro. Ele foi morto com uma saraivada de bala na sua banca vendendo verdura em Messias Targino. O que a polícia apurou, é que esta vítima dava apoio aos bandos que praticam roubos a banco na região.

Algum tempo depois, mataram, Valdecir Morais, junto com o genro, chamado Gerry Adriane. Os dois estavam em uma moto chegando no sítio Salgado, e foram assassinados. Mais uma vez, segundo o delegado, a família Garcia é suspeita de estar vingando a morte de Henrique.

Em abril de 2018, Marcelo Francisco Garcia, ou Marcelo Passarinho, que carregava leite da fazenda Monte Alegre para a usina em Janduis, é assassinado. Ele estava em uma caminhonete e foi morto com tiros de escopeta 12.

A próxima morte, foi a de Galbi Linhares. “A motivação desse crime ainda não está bem definida. Um dos grandes problemas desta região, é que as pessoas sabem detalhes dos crimes, mas, tem medo de falar e morrer. Impera a lei do silêncio”, contou Odilon Teodósio.

O próximo crime, foi a morte de Douglas Brito, que aconteceu dentro da casa lotérica na cidade de Janduis. O que a polícia está apurando é se Douglas teria intermediado pessoas para matar o Marcelo. Ele também foi morto a tiros de escopeta 12.

Também foi morto em emboscada, Marcílio Gomes de Souza. Este era fortemente ligado a Douglas e estava armado no dia que foi atacado, inclusive acertou  um disparo no seu algoz. Passados 12 dias desse crime, no dia 10 de julho deste ano, foi assassinado na cidade de Janduis, Chico Boi.

O delegado ainda contou que outras mortes foram registradas em cidades da região da grande Natal. Primeiro ocorreu uma tentativa de assassinato contra a pessoa conhecida como Cariolano, que tem ligação com as mortes registradas no Oeste. Depois, foi assassinado, Ailton Garcia, outro irmão de Henrique e por fim, a morte de Joean Ramalho de Morais.

“A investigação é complexa e abre um raio muito grande de crimes de pistolagem. Mas, nós vamos trabalhar para garantir paz para esta região”, afirmou o delegado Odilon Teodósio.