Neste 18 de outubro de 2025, completam-se 15 anos do assassinato do jornalista Francisco Gomes de Medeiros, o F. Gomes, crime que chocou o Seridó e o Rio Grande do Norte. Na noite de 18 de outubro de 2010, por volta das 21h, F. Gomes foi alvejado com vários tiros em frente à sua casa, no bairro Paraíba, em Caicó. O autor dos disparos foi o mototaxista João Francisco dos Santos, conhecido como Dão, preso ainda naquela noite pela Polícia Militar.
O crime, no entanto, não foi obra de um homem só. As investigações da Polícia Civil revelaram a existência de um consórcio formado para tirar a vida de um dos mais atuantes comunicadores da região. Foram apontados como mandantes o pastor evangélico Gilson Neudo Soares do Amaral, o comerciante Lailson Lopes e o advogado Rivaldo Dantas de Farias. Todos chegaram a ser presos, e parte deles já foi julgada e condenada.
Os dias que se seguiram ao crime foram de dor e reflexão. Entre os colegas de imprensa, pairava a dúvida: valeria a pena continuar? Afinal, a execução de F. Gomes foi um ataque direto à liberdade de expressão, um golpe contra o direito de informar e contra a coragem de denunciar. Mas continuamos — mais cautelosos, mais atentos, mas sem calar. O jornalismo do Seridó seguiu em frente, sustentado pela memória e pelo exemplo de quem acreditava que a verdade era inegociável.
Os amigos e familiares de F. Gomes sentiram de perto o peso da perda. Quinze anos depois, o vazio permanece. A dor diminuiu, mas a sensação de impunidade insiste em permanecer viva. Dos envolvidos, alguns já cumpriram suas penas. Outros, como o advogado Rivaldo Dantas, nunca chegaram a cumprir a reprimenda imposta pela Justiça. Continua livre, recorrendo às cortes superiores. E é aí que a palavra impunidade ganha força e forma.
Nesse parágrafo, quero lembrar da última equipe com quem ele trabalhou no radiojornalismo, composta por ele, F. Gomes, diretor, Marcos Danta, Eu (Sidney Silva) e Rosivan Amaral. Nós tínhamos contato com ele constantemente, seja pessoalmente, ou por telefone e, outro dia, mexendo na agenda do meu celular, encontrei o número dele ainda salvo. Naquela noite (18/10/2010), eu falei com ele antes de ele morrer. Pense aí como é perder sua referência profissional, com quem você convive no trabalho, da forma como foi. Meus colegas sabem como foi difícil, mas nós continuamos, mais comedidos, é lógico, e os ensinamentos, são aplicados todos os dias. Sorte a nossa ter tido ele (F. Gomes) como professor.
O tempo passou, mas o exemplo de F. Gomes não se apagou. Ele segue como símbolo de coragem, de compromisso com a verdade e de amor à profissão. Lembrar de F. Gomes é lembrar da importância de uma imprensa livre — e do preço, muitas vezes alto, que se paga por ela.
Que a memória dele continue a inspirar. Que a justiça, um dia, se cumpra por completo.


