Quando o assunto é realização de grandes eventos públicos, o Rio Grande do Norte adota modelos distintos de organização e investimento. Em 2025, a análise dos números mostra que, mais do que volume financeiro, o que realmente diferencia os municípios é a capacidade de transformar investimento público em retorno econômico e social. Nesse cenário, Caicó se destaca como um dos exemplos mais eficientes do estado.
Mesmo sem figurar entre as cidades que mais destinam recursos para cachês artísticos, Caicó alcança um dos maiores índices de retorno econômico por real investido em eventos. A cidade seridoense ocupa apenas a 17ª posição no ranking estadual de investimentos em shows, mas lidera quando o critério é eficiência orçamentária.
Um ponto fundamental nesse modelo adotado em Caicó é a origem dos recursos. Os investimentos realizados pela Prefeitura na contratação de atrações e na estrutura dos eventos não saem do orçamento próprio do município, sendo viabilizados majoritariamente por emendas parlamentares estaduais e federais, além de recursos captados junto ao Ministério do Turismo.
Essa articulação política e institucional permite que o município realize grandes eventos sem comprometer áreas essenciais, como saúde, educação e serviços básicos, ao mesmo tempo em que injeta recursos externos na economia local.
O impacto de um evento público vai muito além do palco. Ele se reflete diretamente no comércio, na rede hoteleira, nos bares, restaurantes, transporte e prestação de serviços. Em Caicó, esse planejamento resulta em números expressivos: com cerca de R$ 3,8 milhões investidos, o retorno econômico estimado chega a R$ 100 milhões, o que representa um fator de retorno superior a 26 vezes o valor aplicado.
Esse desempenho coloca Caicó à frente de municípios como Mossoró e Natal quando o critério é a capacidade de conversão do investimento público em aquecimento da economia local.
A força da tradição e da logística de rua
Grande parte desse sucesso está no modelo adotado para o Carnaval e outros eventos populares. Diferente de cidades que concentram grandes estruturas em um único espaço, Caicó aposta na tradição dos blocos de rua, que há décadas fazem parte da identidade cultural do município.
Blocos como Magão e Treme-Treme arrastam multidões não pela força de grandes cachês nacionais, mas pela conexão histórica com o público, transformando o próprio povo no principal atrativo da festa. Isso permite que a gestão municipal direcione os recursos de forma estratégica, priorizando segurança, organização, mobilidade urbana e infraestrutura.
Valorização cultural e responsabilidade administrativa
Outro ponto que fortalece o modelo de Caicó é a valorização de artistas locais e regionais, que já possuem forte apelo popular na região do Seridó. Nomes como Banda Grafith e Circuito Musical figuram com frequência na programação, garantindo público, identidade cultural e equilíbrio financeiro.
Essa estratégia demonstra que é possível realizar grandes eventos sem comprometer o orçamento público, desde que haja planejamento, foco na cultura local e responsabilidade administrativa.
Um modelo que alia cultura, economia e gestão
Os dados de 2025 mostram que, se o objetivo for arrecadação bruta, cidades maiores tendem a liderar. Se o foco for descentralização cultural, modelos pulverizados cumprem seu papel. Mas quando o critério é eficiência no uso dos recursos públicos, Caicó surge como referência no Rio Grande do Norte.
A experiência da “Capital do Seridó” comprova que investir de forma inteligente, captar recursos externos e planejar bem os eventos públicos não é apenas promover lazer, mas também estimular a economia, fortalecer a identidade cultural e gerar oportunidades para quem vive e trabalha na cidade.
*Com informações do Blog do Barreto


