Apesar de dizer publicamente que não pretende disputar o Governo do Estado em 2026, o presidente da Assembleia Legislativa do RN, Ezequiel Ferreira (PSDB), continua sendo um nome que orbita com força no centro das articulações para a sucessão da governadora Fátima Bezerra (PT). Em entrevista recente, Ezequiel foi taxativo ao afirmar que seu projeto político não passa pela cadeira mais alta do Poder Executivo. Mas, como bem se sabe, na política potiguar, o que se diz publicamente nem sempre é o que se combina no reservado.
Presidente estadual do PSDB, Ezequiel tem afinidade conhecida com a governadora e também com o vice-governador Walter Alves (MDB), que já fez convite formal para que ele migre para o MDB. O movimento, se concretizado, pode ser a peça-chave para a montagem de uma chapa majoritária com força eleitoral e apoio da base governista.
Nos bastidores, Ezequiel se movimenta com o cuidado de quem conhece bem o xadrez político — e, ao que tudo indica, não descarta nenhuma possibilidade. A mais recente articulação ventilada nos bastidores aponta que, caso aceite ser candidato ao governo, Ezequiel pode encabeçar uma chapa majoritária de situação com o atual secretário de Fazenda, Carlos Eduardo Xavier (Cadu), como vice.
Cadu, por sinal, tem sido figura constante ao lado de Fátima em eventos públicos — muito mais do que o habitual para um auxiliar técnico. Para muitos, ele é o nome preferido da governadora para a sucessão, mas há um porém: Cadu é um nome novo no jogo político, sem densidade eleitoral testada. Já Ezequiel, além de experiente, tem capilaridade nos municípios, prestígio entre prefeitos e trânsito livre entre diferentes forças partidárias.
Enquanto o PSDB se reorganiza e o MDB espera uma definição, Ezequiel segue fazendo o que sabe fazer: acumulando força e deixando aliados e adversários na dúvida sobre seus verdadeiros planos. A candidatura ao governo pode até não estar em seu discurso, mas está, sem dúvida, no radar de quem observa os movimentos de 2026 com atenção. Afinal, em política, o que se nega hoje pode virar palanque amanhã.


