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Mourners attend the funeral of Al Jazeera journalists Anas Al Sharif, Mohammed Qreiqeh, Ibrahim Zaher, Mohammed Noufal and another colleague, who were killed in an Israeli strike, in Gaza City August 11, 2025. REUTERS/Dawoud Abu Alkas
© Reuters/Dawoud Abu Alkas/Proibida reprodução

A alta representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros condenou, nesta segunda-feira (11), o assassinato na Faixa de Gaza de cinco jornalistas do canal do Qatar Al Jazeera, questionando a versão israelense de que as vítimas serem “terroristas”.

“A União Europeia condena o assassinato de cinco jornalistas da Al Jazeera em um ataque aéreo em frente ao Hospital Al-Shifa, na Cidade de Gaza, incluindo o correspondente da Al Jazeera, Anas al-Sharif”, afirmou Kaja Kallas, após uma videoconferência com ministros de Relações Exteriores do bloco europeu.

O exército israelense acusou Anas al-Sharif de liderar uma “célula terrorista” do movimento islamita palestino Hamas e de ser “responsável por contínuos ataques com mísseis” contra os militares.

Bruxelas informou que tomou nota das alegações de Israel mas citou o respeito ao Estado de direito e a necessidade de provas: “nestes casos é necessário fornecer provas claras, respeitando o Estado de direito, para evitar que os jornalistas sejam visados.”

O gabinete de informação do Governo de Gaza elevou para seis o número de jornalistas mortos no domingo (10) à noite em um ataque de precisão a uma tenda montada junto ao Hospital Al-Shifa, na cidade de Gaza, após a morte de Mohamed al-Khalidi, que trabalhava para o veículo palestiniano Sahat.

Em comunicado, a mesma fonte indicou que os jornalistas mortos são: Anas al-Sharif e Mohamed Qraiqea, correspondentes da TV Al-Jazeera; os fotojornalistas Ibrahim Zaher e Moamen Aliwa, o assistente de fotojornalista Mohamed Nofal e o próprio Al-Khalidi.

O exército israelense afirmou, como em outras ocasiões, que Anas al-Sharif tinha ligações ao Hamas – que controla a Faixa de Gaza desde 2007 –, apresentando como prova dois documentos cuja origem não especificou e cuja autenticidade não pode ser verificada.

A representante da União Europeia Kallas cobrou de Israel a entrada de mais ajuda humanitária em Gaza.

“Mesmo que esteja chegando mais ajuda, as necessidades continuam a ser muito maiores. Instamos Israel a permitir a entrada de mais caminhões e a melhorar a distribuição de ajuda”, disse.

“Mesmo que esteja chegando mais ajuda, as necessidades continuam a ser muito maiores. Instamos Israel a permitir a entrada de mais caminhões e a melhorar a distribuição de ajuda”, disse.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, também condenou o assassinato dos jornalistas e pediu a abertura de uma investigação imparcial sobre o caso.

“Estas últimas mortes destacam os riscos extremos que enfrentam os jornalistas que cobrem este conflito”, declarou o porta-voz do secretário-geral da ONU, Stéphane Dujarric, em coletiva de imprensa diária.

Guterres apelou, por isso, para que seja realizada “uma investigação independente e imparcial” sobre estas mortes seletivas, prosseguiu Dujarric, lembrando que pelo menos 242 jornalistas morreram violentamente na Faixa de Gaza desde o início da guerra, em outubro de 2023.

O porta-voz sublinhou ainda que os jornalistas e os profissionais da comunicação social devem ser respeitados, protegidos e deve ter o direito de realizar seu trabalho livremente, “sem medo ou perturbação”.

A ofensiva israelense em Gaza começou depois dos ataques do grupo Hamas, no dia 7 de outubro de 2023j, no Sul de Israel, nos quais morreram cerca de 1,2 mil pessoas e mais de duas centenas foram feitas reféns.

A operação militar israelita causou já mais de 61 mil mortos, a destruição de quase todas as infraestruturas de Gaza e o deslocamento forçado de centenas de milhares de pessoas. 

Agência Brasil

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