A farra das diárias na cidade de Serra Negra do Norte (RN) passou de todos os limites. Enquanto o país enfrenta dificuldades, a Câmara Municipal aprovou uma lei que transforma viagem oficial em negócio de luxo. Um vereador agora pode ganhar R$ 1.000,00 por dia fora do estado — mais do que um ministro do governo federal, que recebe R$ 900,00, segundo dados do próprio Ministério da Gestão checados pelo Blog Sidney Silva. A prova dos valores da diárias dos ministros constam no Decreto 11.872/2023, assinado pelo presidente Lula.
Sim, você leu certo: um vereador de cidade pequena, com pouco mais de oito mil habitantes, ganha diária maior que a de um ministro de estado. Dentro do RN, o dinheiro também rola solto: R$ 700,00 na Região Metropolitana de Natal, R$ 500,00 em cidades do interior e até R$ 220,00 para uma simples ida a Caicó. Tudo pago antecipadamente, com reajuste automático todo ano.
Enquanto o cidadão rala pra botar comida na mesa, os políticos locais garantem viagem com tudo pago — e sem precisar prestar contas detalhadas. Um relatório genérico basta. É o tipo de “transparência” que ofende quem paga imposto.
A justificativa, segundo consta no Projeto de Lei aprovado na Câmara, e que a reportagem do Blog Sidney Silva teve acesso, é velha: dizem que é para “modernizar” e “valorizar a função pública”. Na prática, é mais dinheiro fácil no bolso de quem já tem estabilidade e privilégios. Nenhum trabalhador comum tem reajuste automático, mas o vereador de Serra Negra do Norte, tem. Nenhum servidor ganha diária antes de viajar, mas o vereador serranegrense ganha.
Serra Negra do Norte virou um retrato da inversão moral na política brasileira: quem devia dar exemplo, se serve primeiro. Enquanto o povo viaja nos problemas, os vereadores viajam com o dinheiro do povo — e voltam de bolso cheio.


