Por Sidney Silva – A recente entrevista do prefeito de Caicó, Dr. Tadeu, ao jornalista Marcos Dantas, na 95 FM, vai muito além de declarações sobre apoios ou sucessão municipal. Ela escancarou o momento de maturidade política que o gestor vive, revelando um estilo que mistura pragmatismo, habilidade de articulação e forte senso de preservação do grupo político que o sustenta.
A escolha de Toinho Santiago: continuidade e segurança
Ao anunciar que o seu nome para a sucessão municipal (embora ainda longe), é o do vice-prefeito Toinho Santiago, Dr. Tadeu aponta um caminho de continuidade administrativa. Mas, mais do que isso, deixa claro que qualquer movimento futuro — inclusive uma possível saída para disputar vaga na Assembleia Legislativa — dependerá da permanência de Toinho na prefeitura. A frase “ele só não será meu candidato se não quiser” é mais do que um gesto de amizade: é um posicionamento tático.
Com essa fala, o prefeito preserva sua gestão, garante que seu legado pode ter continuidade e, ao mesmo tempo, testa a receptividade do nome de Toinho junto à população e à base política.
Alianças com Fátima e Styvenson: a força do centro pragmático
Outro ponto que merece destaque é o anúncio de apoio a dois nomes para o Senado: Fátima Bezerra (PT) e Styvenson Valentim (Podemos). Em tempos de radicalismos, Tadeu opta por um caminho que chama de “ausência de preconceito” e que prioriza resultados para Caicó.
“Minhas decisões impactam diretamente a vida da população. Não posso ser prefeito e minha ideologia prejudicar Caicó.”, disse ele.
Essa escolha reforça o perfil do prefeito como gestor antes de político ideológico, disposto a dialogar com diferentes correntes em nome do interesse coletivo. Fátima e Styvenson, segundo ele, foram os que mais atenderam aos pleitos do município — e isso basta para justificar os apoios.
O recado a Bibi Costa: legitimidade não é suficiente
Ao ser questionado sobre o nome do ex-prefeito Bibi Costa, que tem sido ventilado como possível pré-candidato, Tadeu adotou uma postura firme, porém diplomática. Reconheceu a legitimidade de Bibi, mas lembrou que ele não participou das últimas campanhas do grupo político, nem da sua, nem a do próprio irmão, Vivaldo Costa.
A mensagem é clara: quem quer voltar ao jogo precisa sujar os pés na caminhada. E Bibi, segundo Tadeu, ainda não deu o primeiro passo, sequer o procurou para uma conversa.
A síndrome do segundo mandato
Demonstrando sensibilidade política, o prefeito falou sobre o risco de “síndrome do segundo mandato” — um fenômeno comum na política brasileira, em que a segunda gestão tende a ter menor aprovação que a primeira.
Ao citar o exemplo da ex-governadora Wilma de Faria, que deixou o governo com alta rejeição, apesar de ter feito obras marcantes, como a Ilha de Sant’Ana, em Caicó, Tadeu mostra consciência dos desafios que terá pela frente. E sinaliza que sua prioridade, ao fim, é deixar um legado ainda mais sólido.
Conclusão
A entrevista de Dr. Tadeu foi, acima de tudo, um movimento político calculado e eficiente. Ele marcou posição, apresentou sua lógica de alianças, apontou o sucessor com firmeza e cobrou lealdade ao grupo. E mais: manteve seu nome em evidência para 2026, sem gerar ruído ou precipitação.
Em tempos de incertezas e discursos inflamados, o prefeito de Caicó escolheu a estratégia do centro firme, da construção coletiva e da responsabilidade com a cidade.
E uma coisa está mais do que clara: o Dr. Tadeu, hoje, é o principal fiador da unidade política em Caicó.


