Caicó: Sindicato de Servidores denuncia contratação de terceirizados

Thiago Costa em entrevista na Rádio Caicó
Thiago Costa em entrevista na Rádio Caicó

Por Professor Thiago (presidente do Sindicato dos Serviços Públicos Municipais de Caicó)

A atual gestão do município de Caicó publicou na última sexta-feira, no site oficial da prefeitura, aviso de licitação para contratação de empresa especializada em serviço de limpeza urbana. Tal fato, aparentemente resultante de uma prerrogativa administrativa do gestor municipal, mascara não só um caso de má gestão, mas, também possíveis intenções nebulosas.

Sabe-se e é notório que o serviço de limpeza urbana da nossa cidade tem deixado muito a desejar, no entanto, o município de Caicó já dispõe de pessoal capacitado para realização de tal serviço. O que pouca gente sabe é que essas pessoas, apesar de serem profissionais dedicados, têm sido impedidas de realizar suas tarefas.

Impedidas de trabalhar. Por incrível que pareça essa é a expressão que melhor define a realidade vivenciada pelos garis aqui na cidade de Caicó.

Para realizar as suas tarefas, insalubres, que oferecem sérios riscos a saúde, os garis precisam está bem equipados com luvas, mascaras, botas, óculos específicos, protetor solar e fardamento adequado. Esses Equipamentos de Proteção Individual (EPI) são fundamentais, pois, são eles quem atenua os riscos aos quais esses profissionais, sejam eles servidores públicos ou profissionais de empresas privadas, estão submetidos ao realizarem o serviço de limpeza urbana.

No entanto, constantemente os garis estão sendo impedidos de trabalharem em razão da falta dos EPI. Para piorar ainda tem a situação dos carros de coletas que tem quebrado com uma assustadora frequência, inviabilizando o serviço de coleta de lixo e nos levando a colocar sob suspeita a forma como tem sido feita a manutenção desses instrumentos de trabalho.

Diante do exposto até aqui creio que se tornam evidentes quais são as possíveis intenções nebulosas a que me refiro no início do texto. Primeiro se inviabiliza a realização do trabalho por parte dos garis negando-lhes condições adequadas para o trabalho; consequentemente aproveita-se do desconhecimento técnico de parte da população para deixar subtendido que os garis é que são culpados por tal situação; por ultimo cria-se todo um clima favorável para contratar a iniciativa privada. A nosso ver, a impressão é que essa tem sido a estratégia adotada pelo atual gestor municipal.

Percebe-se, portanto, que ao invés de dar as condições adequadas para que os garis possam trabalhar com segurança e dispor meios para que eles possam realizar suas tarefas, fornecendo-lhes os EPI necessários e cuidando da manutenção de suas ferramentas de trabalho, tem-se optado por inviabilizar o trabalho e desmoralizar o serviço público.

Trocando em miúdos, a lógica tem sido sucatear para terceirizar.