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IBGE: 9,3 milhões de brasileiros ainda são analfabetos, a grande maioria com mais de 40 anos

Aluna de EJA acompanha aulas — Foto: Divulgação

Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) sobre educação de 2023, divulgada nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que o Brasil ainda tem 9,3 milhões de analfabetos. Desse grupo, 8,3 milhões têm mais de 40 anos.

No levantamento, o IBGE pergunta aos entrevistados se eles conseguem escrever um bilhete simples. Quem responde “não” é considerado analfabeto. Esse grupo representa 5,4% da população brasileira, uma taxa que é um pouco menor do que no ano anterior, quando foi registrado 5,6% de pessoas que não sabiam ler ou escrever. O Nordeste, porém, é a região que ainda tem mais pessoas analfabetas proporcionalmente. São 11,2% contra 2,8 do Sul ou 2,9 do Sudeste.

“Esse indicador segue em retração, com uma variação estatisticamente significativa. De fato, essa passagem de 5,6% pra 5,4% configura uma reduação do indicador de taxa de analfabetismo”, afirma Adriana Beringuy, coordenadora da pesquisa no IBGE. “A queda efetiva foi intensa na região Nordeste, onde há um potencial ainda muito importante da redução desse indicador dada uma concentração populacional de pessoas ainda analfabetas”.

Os dados mostram ainda que o número de brasileiros cai vertiginosamente entre os mais jovens. Na faixa etária de 15 a 17 anos, são 50 mil pessoas que não sabem ler e escrever, um reflexo da universalização da educação básica. No entanto, o grande contingente de pessoas ainda analfabetas com mais de 40 anos reflete os problemas das políticas de educação de jovens e adultos (EJA).

“A concentração da população analfabeta nas pessoas com mais idade tem relação com as melhorias da educação básica no país. Com as melhora das condições, pessoas mais jovens não tem condições precárias de estudo como as mais velhas que ou não frequentaram a escola ou não teve consolidado seus estudos de tal forma que a condição do analfabetismo perpassou ao longo da vida”, afirma Beringuy.

Além dessa população que nunca estudou, o Brasil ainda tem 46% da população com mais de 25 anos que não possuem a educação básica completa, de acordo com a Pnad. Todo esse contingente também é o público potencial dos programas de educação de jovens e adultos.

Os investimentos em políticas de EJA têm caído ao longo dos anos. Em 2014, foi de R$ 820 milhões. Já em 2021, chegou ao menor patamar do século XXI, com apenas R$ 6 milhões. Com isso, a EJA perdeu meio milhão de estudantes entre 2018 e 2021. Entre 2022 e 2023, houve nova queda do número de matrículas, de 7%.

No ano passado, O GLOBO revelou que o MEC estava trabalhando em um programa para incentivar que alunos voltem a estudar. Naquele momento, ele previa o pagamento de bolsas de estudos para os estudantes e interlocução com o ensino técnico. As discussões ainda estão ocorrendo no ministério e a expectativa é que ele seja lançado neste ano.

O levantamento do IBGE também aponta que os brasileiros de 15 a 29 anos deixaram a escola por trabalho (45%), falta de interesse (23%) e afazeres domésticos ou cuidar de pessoas (15%). Este último motivo, porém, tem uma enorme diferença entre homens e mulheres. Menos de 1% dos homens deixou as salas de aula para o trabalho não-remunerado, enquanto 36% das mulheres apontaram esse motivo — o que já foi até tema de redação do Enem, em 2023.

A Pnad mostrou também que a taxa de alunos de 6 a 14 anos que ainda não acessaram o ensino fundamental voltou a ter queda. O IBGE entende que isso ainda é um reflexo da pandemia. São crianças que ficaram retidas na pré-escola por não terem sido alfabetizadas corretamente. Assim, 99,4% dos alunos dessa faixa etária estão na escola, mas 94,6% estão na idade correta. A meta do Plano Nacional de Educação é dessa taxa estar em 95% em 2024. Em 2019, era de 97%.

“As crianças menores, sobretudo as que estavam em processo de alfabetização, tiveram mais dificuldades para se adaptarem ao ensino remoto, enquanto os adolescentes mais acostumados com as ferramentas virtuais conseguiram acompanhar de maneira mais adequada. As menores acabam precisando de interação mais presencial e isso pode ter prejudicado a saída da pré-escola para o início do fundamental”, avalia Beringuy.

Já na avaliação de Daniel de Bonis, diretor de Conhecimento, Dados e Pesquisa da Fundação Lemann, esse dado pode significar que os pais estão colocando seus filhos na escola com atraso por causa da pandemia.

Com informações do jornal O Globo

AgoraRN

Dr. DINNA Oliveira
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